quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O que a Igreja ensina sobre os Anjos

Prof. Felipe Aquino- Comunidade Canção Nova
A Igreja celebra em 29 de setembro a festa litúrgica dos Santos Arcanjos: Miguel (Quem como Deus!), Gabriel (Força de Deus) e Rafael (Cura de Deus). O Catecismo da Igreja afirma sem hesitação a existência dos anjos: “A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição” (§328).

O Catecismo lembra que: “Cristo é o centro do mundo angélico” (§331). Eles pertencem a Cristo, porque são criados por Ele e para Ele, como disse São Paulo: “Pois foi Nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Principados, Potestades, tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1,16). Os anjos também são de Cristo porque Ele os fez mensageiros do seu projeto de salvação da humanidade. “Ainda aqui na terra, a vida cristã participa, na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.” (§336)
Portanto, não há como negar a existência dos anjos, sem bater de frente com o ensinamento da Igreja, em toda a sua existência. São Paulo ensinava em sua primeira Carta aos fiéis de Colossos: “Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e invisíveis, Tronos, Dominações (ou Sobera­nias), Principados, Potestades (ou Autoridades): tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1,16).
O primeiro Concílio Ecumênico que confirmou a existência dos seres espirituais foi o de Niceia, em 325, quando fala no Decreto (DS 54), em “coisas invisíveis”: “Creio em um só Deus, Pai Todo Poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis”.
Essa verdade foi reafirmada no Concílio de Constantinopla I, em 381. Também o Concílio regional de Toledo, em 400, reafirmou a mesma verdade, dizendo: “Deus é o Criador de todos os seres visíveis; fora d’Ele não existe natureza divina de Anjo, de potência que possa ser considerada como Deus.” O Magistério da Igreja confirmou a realidade dos anjos sobretudo no Concílio de Latrão IV (1215), ao declarar contra o dualismo dos hereges cátaros: “Deus é o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, espirituais e corporais; por sua onipotência no início do tempo criou igualmente do nada as criaturas espirituais e corporais, isto é, o mundo dos anjos e o mundo terrestre; em seguida criou o homem, que de certo modo compreende umas e outras, pois consta de espírito e corpo. O diabo e os outros demônios foram por Deus criados bons, mas por livre iniciativa tornaram-se maus. O homem pecou por sugestão do diabo. “(DS 800 [428]).
A existência dos Anjos foi reafirmada, no II Concílio de Lião, sob Gregório X, em 1274, nos seguintes termos: “Cremos em um Deus Onipotente…, criador de todas as criaturas, de quem, em quem e por quem existem todas as coi­sas no céu e na terra, visíveis, corporais e espirituais” (D.S., 461).
O Concílio de Florença, sob Eugênio IV (1441-2) pelo Decreto pro-lacobitis, e pela Bula Contate Domine, de 4 de janeiro de 1441 assim se expressou: “A sacrossanta Igreja romana crê firmemen­te, professa e prega que um só é o verdadeiro Deus…, que é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, o qual quando quis, por sua vontade criou todas as criaturas, tanto espirituais como corporais” (D.S, 706). O Concílio de Trento (1545-1563) repetiu o ensinamento tradicional definido no IV Concílio de Latrão. Lê-se no Catecismo Romano e na profissão de Fé expressa na Bula lniunctum nobis, do Papa Paulo IV de 13 de novembro de 1564: “Deus criou também, do nada, a natureza espiritual e inumeráveis Anjos para que o servissem e assistissem”. (1ª parte, Cap. 2, a.1 do Símbolo., n. 17).
O Concílio Vaticano I (1869-1870) pelos decretos 3002 e 3025 da Constitutio de fide catholica (DS, 1873) – e Dei Filius, ao condenar certos erros, afirma: “Este Deus único verdadeiro…, com um ato libérrimo no início dos tempos, fez do nada ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, a angélica e o mundo; depois a criatura humana, como que participando de ambas, constituída de alma e de corpo”. O mesmo Concílio condenou os que: “Afirmam que fora da matéria, nada mais existe” (Dec. 3022). “Afirmam que as criaturas materiais e espirituais não foram criadas do nada e livremente” (Dec. 3025 – “Contra o materialis­mo”, D.S., 1802).
“Se alguém disser que as coisas finitas, quer sejam corpóreas, quer espirituais são emanações da substância divina… seja anátema” ( Contra o Panteísmo, Cânon 4). Na Encíclica Summi Pontificatus, de 20 de outubro de 1939, Pio XII lamenta que “alguns ainda perguntem se os Anjos são seres pessoais e se a matéria difere essencialmente do espírito” (D.S. 2318).
O Concílio Vaticano II (1962-1965), na Constituição Dogmátca Lumen Gentium, fala claramente dos anjos: “Portanto, até que o Senhor venha com toda sua Majes­tade, e todos os Anjos com Ele (cf. Mt. 25, 31)”…(LG, 49). “A Igreja sempre acreditou estarem mais unidos conosco em Cristo, venerou-os juntamente com a Bem-aventurada Virgem Maria e os Santos Anjos com especial afeto…” (LG,50). No Cap. VIII sobre “A Bem-aventurada Virgem Maria no Misté­rio da Igreja”, lê-se: “Maria foi exaltada pela graça de Deus acima de todos os Anjos e todos os homens, logo abaixo de seu Filho, por ser a Mãe Santíssima de Deus” (LG, 66). “Todos os fiéis cristãos supliquem insistentemen­te à Mãe de Deus e Mãe dos homens, para que Ela, que com suas preces assistiu às primícias da Igreja, também agora exaltada no céu sobre todos os Anjos e bem aventurados…” (LG,69).
No Credo do Povo de Deus, do Papa Paulo VI, de 30 de junho de 1968, o santo Padre afirma: “Cremos em um só Deus, Pai, Filho e Espirito Santo, Criador das coisas visíveis, como este mundo, onde se desenrola a nossa vida passageira; Criador dos seres invisíveis como os puros espí­ritos, que também são denominados Anjos, e Criador em cada ho­mem, da alma espiritual e imortal”.
Diante de uma certa tendência de negar que os anjos são seres pessoais, mas apenas “instintos” ou “forças neutras”, como se fossem apenas uma tendência para o bem ou para o mal, o Papa Pio XII na sua encíclica Humani Generis (1959), reafirmou que os anjos são “criaturas pessoais”, dotadas de inteligência sagaz e vontade livre (DS 3891 [2317]).
São Gregório Magno dizia que cada página da Revelação escrita atesta a existência dos Anjos. A presença e a ação dos anjos bons e maus estão a tal ponto inseridas na história da salvação, na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, que não podemos negar a sua existência e ação, sem destruir a Revelação de Deus. O fato de muitas vezes os anjos terem sido apresentados de maneira fantasiosa ou infantil, não nos autoriza a negar a sua existência. Por serem seres espirituais, os anjos bons e maus não podem ter a sua existência provada experimental e racionalmente; no entanto, a Revelação atesta a sua realidade. Eles são mencionados mais de 300 vezes na Bíblia.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Maria, Mãe da Humanidade

Minha humilde homenagem á Mãe, com o titulo de Aparecida

Dispersos pelo mundo para pregar o Evangelho e batizar as nações, os Apóstolos levaram no coração e nos lábios o sagrado nome de Jesus, e com Jesus o nome Santíssimo de Maria, é que Jesus sem Maria é um Jesus incompleto, o filho de Deus humanado, fica de origem desconhecida sem Maria. E que sem ela não poderíamos explicar sua natureza humana o seu sofrimento e sua entrega na cruz nos causaria confusão, porque nos faltaria a chave da compreensão da vida inteira de Jesus. 

Se quisermos saber como a alma fiel deve se preparar para a vinda do espirito Santo,vamos em Espirito no cenáculo onde os discípulos estão reunidos. Veremos que seguindo a ordem do mestre, estão perseverando na oração, esperando o poder do alto,que há de vir revesti-los da armadura necessária para a luta que os aguarda. Neste sagrado lugar de recolhimento e de paz, o nosso olhar reverente pousa sobre Maria , a Mãe de Jesus, a obra prima do espirito Santo, a igreja do Deus vivo. Dela sairá, pela ação deste mesmo Espirito, como de ventre maternal, a Igreja militante que esta nova Eva representa e encerra. 
Quando o Anjo do Senhor anunciou a Maria que ela seria a mãe do salvador, em sua saudação chama-a
AVE cheia de Graça o SENHOR é contigo LUCAS 1,30-38. Não temas Maria pois encontraste graça diante de DEUS Eis que conceberas e dará a luz um filho e lhe porás o nome de JESUS, ele será grande e chamar- se-a filho do Altíssimo e o Senhor DEUS lhe dará o trono do seu"Pai Davi" e ele reinará eternamente na casa de JACO
(Maria era assim como José descendente de Davi) Maria pergunta ao anjo,"como se fará isso pois não conheço homem?" Respondeu-lhe o Anjo, "O ESPIRITO SANTO DESCERÁ SOBRE TI E A FORÇA DO ALTÍSSIMO TE ENVOLVERÁ COM A SUA SOMBRA, POR ISSO O ENTE SANTO QUE NASCER DE TI SERÁ CHAMADO FILHO DE DEUS. TAMBÉM ISABEL SUA PARENTA, ATÉ ELA CONCEBEU UM FILHO NA SUA VELHICE E JÁ ESTÁ NO SEXTO MÊS AQUELA QUE É TIDA POR ESTÉRIL, PORQUE A DEUS NENHUMA COISA É IMPOSSÍVEL. ENTÃO  MARIA DESSE, "EIS AQUI A SERVA DO SENHOR FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A SUA PALAVRA. E o Anjo afastou-se dela.
Ao contrario de Eva, que por ela veio o pecado, por Maria veio a redenção, a salvação dos pecados do mundo inteiro

Foi do agrado de DEUS que o reinado da graça. o novo reino de DEUS não fosse inaugurado sem Maria. É a vontade de DEUS que assim continue. Quando Deus deseja preparar João Batista para sua missão de precursor de JESUS santifica-o valendo-se da caridosa visita de sua bendita mãe. Com Jesus em seu ventre Maria vai visitar sua parenta Isabel nas montanhas, aquela de quem o Anjo falou-lhe. A primeira ação de Maria a pós a visita do Anjo é  fazer o bem, Maria viaja sozinha pelas montanhas para a casa de Zacarias, Salda Isabel. 
Apenas Isabel ouviu a saudação de Maria e a Criança estremeceu em seu ventre Isabel ficou cheia do espirito Santo e exclamou em alta vós "BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES, E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE DONDE ME VEM A HONRA DE VIR A MÃE DO MEU SENHOR? PORQUE ASSIM QUE A VÓS DA TUA SAUDAÇÃO CHEGOU AOS MEUS OUVIDOS A CRIANÇA ESTREMECEU DE ALEGRIA NO MEU SEIO. BEM AVENTURA DA ÉS TU QUE CRESTE POIS SE HÃO DE CUMPRIR AS COISAS QUE DA PARTE DO SENHOR TE FORAM DITAS".
Maria  ficou com Isabel três meses até o nascimento de João Batista, Maria filha escolhida de Deus era fiel á palavra, lembrando-se do Canto de Ana em agradecimento á Deus por ter lhe dado um filho o qual ela ofereceu ao Senhor(1 Samuel 2. 1-10)
varrendo a casa ou lavando roupas Maria cantou o Magnifica.
 " MINHA  ALMA GLORIFICA, O SENHOR 
E MEU ESPIRITO EXULTA DE ALEGRIA,
 EM DEUS MEU SALVADOR,
 PORQUE OLHOU PARA A SUA POBRE SERVA
 POR ISSO DESDE AGORA, 
 TODAS AS GERAÇÕES ME PROCLAMARÃO BEM AVENTURADA,
 PORQUE REALIZOU EM MIM GRANDES MARAVILHAS
 AQUELE QUE É PODEROSO E CUJO NOME É SANTO.
SUA MISERICÓRDIA SE ESTENDE DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO,
SOBRE OS QUE O TEMEM.
MANIFESTOU O PODER DO SEU BRAÇO,
DESCONCERTOU OS CORAÇÕES DOS SOBERBOS,
DERRUBOU DO TRONO OS PODEROSOS,
E EXALTOU OS HUMILDES,
SACIOU DE BENS OS INDIGENTES E DESPEDIU OS RICOS DE MÃOS VAZIAS,
ACOLHEU A ISRAEL, SEU SERVO,
LEMBRADO DA SUA MISERICÓRDIA CONFORME PROMETERA A NOSSOS PAIS,
EM FAVOR DE ABRAÃO,
E SUA POSTERIDADE PARA SEMPRE( LUCAS 1 46-56)
Maria ficou com Isabel cerca de três meses, depois voltou para casa.

Zacarias, esposo de Isabel, era um Sacerdote (Aquele que oferece dons sagrados a Deus) No tempo de Herodes, rei da Judeia Havia duas classes de Sacerdotes, "A rica e a pobre", Enquanto a classe rica oferecia em sacrificio a Deus de cordeiros e bois, A oferta de Zacarias era cabras e pombos e perfumes ou seja o incenso de hoje. Isabel e Zacarias eram pessoas justas.
( a palavra justiça na Bíblia significa Santidade.) 
Zacarias rezava e pedia um filho, um dia estando ele no altar do sacrifício aparece lhe um Anjo e dá ele a boa noticia, " Sua mulher dar-te a um filho e chamar lhe a Joaão, "O velho não acredita, justamente porque ele e a sua mulher são idosos, o Anjo Gabriel deixa-o mudo até o nascimento de João.
vale a pena conferir. (Lucas 1, 5-25-56. e 57-80.



Na primeira noite de Natal aqueles que fecharam as portas, ao despedir Maria, negaram a entrada de Jesus, e quando os Pastores representantes do todo o povo de Deus, encontraram Jesus, o encontraram com Maria.
Se tivessem voltado as costas pra Maria, nunca teriam encontrado Jesus.
Os três Reis magos só descobriram o Salvador, porque encontraram Maria, se não quisessem aproximar-se dela não teriam chegado á Jesus.
Chegado o dia de se oferecer ao seu Divino Pai, Jesus não vai ao templo senão nos braços de Maria, á quem pertence, e sem a qual não poderá se apresentar, assim também como não começou sua vida pública sem o consentimento de sua mãe, em Caná da Galileia adianta sua hora, á pedido de Maria.

E vamos encontra-la no calvário de pé, junto da cruz, não só porque amava seu filho com ternura, ou por mera casualidade mais precisamente no mesmo papel que desempenhou na encarnação, como serva de DEUS. 
Maria estava ali como representante do gênero humano, ratificando o oferecimento que fizera de seu filho por amor dos homens. 
Nosso Divino Redentor não se ofereceu ao seu ao eterno Pai sem que ela consentisse e o oferecesse também, em nome e a favor de todos os seus filhos; a cruz devia ser o sacrifico de todos eles como o era de Jesus . Maria renunciou aos direitos maternais sobre seu filho pela salvação dos homens e o imolou, resgatando assim com o seu próprio sangue o gênero humano, porque o sangue que Cristo derramou na Cruz para o perdão dos nossos pecados, era o sangue daquela que o gerou.

Maria foi constituída por Deus colaboradora na obra da redenção. Desde toda a eternidade ela estava com Jesus, na intensão da Santíssima Trindade, participando do seu destino. Profetizada como a mulher de quem ele nasceria, associada a ele nas súplicas de quantos esperavam sua vinda, unida á ele pela graça, através da imaculada conceição, unida á ele em todos os mistérios de sua vida mortal, desde a anunciação do anjo, até á cruz, estabelecida com ele na sua gloria pela assunção.

Foi Maria a mais pura e forte na fé e no Espirito, para ser a nova Eva que com o novo Adão, o desagravo da queda.
“ Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a vossa palavra”
A vontade e a carne de Maria o conceberam, seu leite o alimentou, foi o amor transcendente de Maria que o envolveu e o fez crescer em estatura força e sabedoria,( Lucas 2,51 ) Maria o moldou, ele que a fez...ao chegar a hora determinada, ela entregou o Divino cordeiro livremente á sua missão de morte sacrifical no calvário, sofrendo com ele a plenitude da dor, tão grande dor que teria morrido com ele se não estivesse impedida, para poder velar sobre a Igreja nascente.

Maria foi a colaboradora inseparável de Jesus, a maternidade de Maria estendeu-se para receber todos aqueles por quem ele morreu, Maria exerce na humanidade o mesmo papel de Mãe que para com Jesus, porque somos um nele, cada alma está colocada sobre os cuidados pacientes de Maria. Assim como Maria foi colocada como instrumento usado por Deus no plano da Salvação, assim também Maria está incluída no nosso culto.
Havemos de apreciar a obra magnifica de Maria, e através da nossa fé do nosso amor, do nosso serviço, mostrar á ela nosso reconhecimento.

Nossa Senhora Aparecida, Rogai por nós

Nossa Senhora das Graças, 11 de Outubro de 2012

Maria de Lurdes Pereira Luciano (Mana) 
Catequista

Viva a mãe de Deus e Nossa, a Senhora Aparecida

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora (MG)


É linda a devoção à Mãe de Jesus. Ela tem origem na escolha feita pelo próprio Criador, Deus Pai, que prometera a salvação aos primeiros humanos, escolhendo Ele, Deus, uma mulher, cuja descendência esmagaria a cabeça da infernal serpente, personificação do mal.
Quando o Arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Salvador, ficou patente que havia chegado a hora do cumprimento da promessa do Pai Eterno. O celestial mensageiro a saúda: Alegra-te, ó cheia de Graça! O Senhor está contigo!” Na simplicidade da jovem de Nazaré, ao esboçar sinais de justificado temor, o Anjo lhe diz: “Não tenhas medo, Maria, encontraste graça junto de Deus, tu conceberás e darás à luz um Filho e lhe porás o nome de Jesus; Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo”.
E prosseguindo o celeste diálogo naquele momento único da história da humanidade, o Anjo mais uma vez a tranquiliza: “O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso aquele que vai nascer será chamado Filho de Deus” ( Cf. Lc.1, 26-38).
Maria, mãe de Deus
No Concílio de Éfeso, que aconteceu entre 22 de fevereiro a 31 de julho do ano de 431, por causa de heresias surgidas, discutiu-se sobre temas cristológicos e mariológicos, entre os quais a missão de Maria na história da Salvação. Perguntou-se se seria correto atribuir a Maria o já tradicional título de Mãe de Deus, ou se deveria se limitar a invocá-la como Mãe de Jesus ou Mãe de Cristo.
Os bispos e teólogos presentes chegaram à conclusão que negar o título de Mãe de Deus a Maria seria uma heresia cristológica, uma negação da divindade de Jesus, uma vez que o que nasceu de Maria, como afirmara o Anjo, não era um homem que depois se tornaria Deus, mas o próprio Filho da Trindade Santíssima encarnado, Deus e Homem verdadeiros. Ficou definido para sempre que Maria, a Mulher prometida no Gênesis, não só poderia, mas deveria ser invocada como Theotókos, Dei Para, Mater Dei, Mãe de Deus.
Uma versão antiquíssima afirma que, neste momento sublime do final do Concílio de Éfeso, São Cirilo de Alexandria, o grande teólogo do mencionado sínodo, teria se ajoelhado diante da Aula Conciliar e rezado pela primeira vez: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte!”
A expressão tornou-se oração eloquente nos lábios do povo que estava de fora do recinto, ansioso à espera da grande notícia, saindo em procissão com festivas aclamações a Jesus e a Maria. A fervorosa prece passou a ser rezada todos os dias e por todos os cantos pelos fiéis cristãos como até hoje, na segunda parte da Ave Maria.
Quando o povo brasileiro se reúne fervoroso no dia 12 de outubro, para saudar a Rainha e Padroeira do Brasil, ele canta vibrante: Viva a Mãe de Deus e Nossa, sem pecado concebida, Salve, ó Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida.
Ele continua professando a fé na verdade bíblica da promessa da Salvação; ele continua proclamar a verdade eclesial inspirada no Concilio de Éfeso; ele continua a exaltar a divindade de Cristo; ele continua a louvar a Mãe do Salvador, bendita entre todas as mulheres. Ele continua a manifestar sua fé na materna intercessão daquela que ampara, protege, ama e leva ao Pai, em nome de seu Filho Jesus, as preces de cada um, as esperanças de cada coração.
Verdades de fé na história
A devoção a Nossa Senhora Aparecida teve início nas proximidades da cidade paulista de Guaratinguetá, em outubro do ano de 1717. A comunidade se preparava para a ilustre visita do recém chegado de Portugal, o Conde de Assumar, terceiro governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro (ou dos campos das Gerais).
Foram contratados três pobres pescadores para fornecerem peixes para o banquete. Eram João Alves, Domingos Garcia e Vicente Pedroso, que apesar de muito trabalho, nada conseguiam com suas redes no rio Paraíba. Homens de fé já apelavam para Deus a fim de que conseguissem os peixes.
Eis que, de repente sentem as redes pesarem, mas ao içamento, não viram peixes, mas apenas um pequeno objeto de cor escura que ao verificarem se revelou como pequena imagem da Virgem Maria, porém sem a cabeçinha. Ao lançarem segunda vez, se repete o fenômeno do peso e desta vez, vem-lhe às mãos a pequena cabeça que logo ajustaram à parte anteriormente pescada.
Ao calor da prece no fervoroso coração dos humildes pescadores, lançando terceira vez as redes, veem-lhes tal quantidade de peixes que não puderam senão associar o fenômeno aos relatos bíblicos da pesca miraculosa.
Eles apresentaram a imagenzinha aos fiéis e o povo começou a chamá-la carinhosamente de Nossa Senhora Aparecida. De um pequeno oratório construído para abrigá-la e acolher os devotos, com a sucessão de orações e de milagres alcançados de Deus, diante daquele singelo e santo símbolo, chegou-se hoje à linda basílica nacional de Aparecida para onde acorrem milhões de peregrinos todos os anos e todos os dias.
É o povo santo de Deus, proclamando no silêncio do sensus fidelium, verdadeiro locus theologicus, as verdades da fé que maravilhosamente Deus vai enaltecendo na história.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Carta do papa Francisco em resposta ao jornal La Reppublica

Vaticano, 4 de setembro de 2013
Caríssimo Dr. Scalfari, é com viva cordialidade que, ainda que em linhas gerais, gostaria de responder, com esta minha carta, à que o Sr., pelas páginas [do jornal] República, escreveu-me, dia 07 de julho, com uma série de reflexões pessoais, que posteriormente aprofundou, no mesmo jornal, dia 07 de agosto.
Agradeço-lhe, antes de tudo, pela atenção com a qual leu a Encíclica Lumen fidei. Ela, na intenção de meu amado Predecessor, Bento XVI, que a concebeu e em grande medida a redigiu, e de quem, com gratidão, eu herdei, tem por finalidade não só confirmar na fé em Jesus Cristo os que já se reconhecem nessa fé, mas também suscitar um diálogo sincero e rigoroso com quem, como o Sr., se define “um não crente há muitos anos interessado e fascinado pela pregação de Jesus de Nazaré”.
Parece-me, portanto, que seja positivo, não só para nós pessoalmente, mas também para a sociedade em que vivemos, concentrar-nos no diálogo a respeito de uma realidade importante como é a fé, que se refere à pregação e à figura de Jesus. Penso que há duas circunstâncias, em particular, que tornam hoje esse diálogo necessário e precioso.
Ele, afinal, constitui, como é sabido, um dos principais objetivos do Concílio Vaticano II – querido por João XXIII – e do ministério dos Papas que, cada um com sua sensibilidade e sua contribuição, daquela ocasião até hoje caminharam no sulco traçado pelo Concílio.
A primeira circunstância – como se destaca nas páginas iniciais da Encíclica – deriva do fato que, ao longo dos séculos da modernidade, se tem assistido a um paradoxo: a fé cristã, cuja novidade e incidência na vida do homem desde o início se expressou com o símbolo da luz, foi considerada como superstição obscura, oposta à luz da razão. Assim se chegou a um estado de incomunicação entre a Igreja e a cultura de inspiração cristã, por um lado, e a cultura moderna de cunho iluminista, por outro. Chegou, porém, o tempo de um diálogo aberto e sem preconceitos, que reabra as portas de um sério e fecundo encontro. O Vaticano II inaugurou esta estação.
A segunda circunstância, para quem procura ser fiel ao dom do seguimento de Jesus à luz da fé, deriva do fato que este diálogo não é um acessório secundário da existência de quem crê. Ao contrário, é uma expressão íntima e indispensável [dessa existência]. Permita-me citar, a propósito, uma afirmação que considero muito importante da Encíclica: como a verdade testemunhada pela fé é a verdade do amor – ali se sublinha – “é claro que a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro. Quem crê não é arrogante; ao contrário, a verdade o faz humilde, sabendo que mais do que nós a possuirmos, é ela que nos circunda e possui. Longe de enrijecer-nos, a segurançaa da fé nos põe a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos” (n. 34). É este o espírito que anima as palavras que escrevo.
A fé, para mim, nasce do encontro com Jesus. Um encontro pessoal, que tocou meu coração e deu uma nova direção e um novo sentido à minha existência. Mas, ao mesmo tempo, um encontro tornado possível pela comunidade de fé na qual eu vivi e graças à qual encontrei o acesso à inteligência da Sagrada Escritura, à vida nova que como fluxo de água jorrando de Jesus através dos Sacramentos, à fraternidade para com todos e a serviço dos pobres, verdadeira imagens do Senhor. Sem a Igreja, – creia-me – não teria podido encontrar Jesus, apesar de estar ciente de que este dom imenso que é a fé está guardado nos vasos da frágil argila de nossa humanidade.
É precisamente a partir daqui, desta experiência pessoal de fé vivida na Igreja, que me sinto à vontade para escutar suas questões e para procurar, junto com o Sr., os caminhos ao longo dos quais poderemos, talvez, começar a fazer juntos um percurso.
Perdoe-me se não sigo passo a passo a argumentação que o Sr. Propôs no editorial de 7 de julho. Parece-me mais frutuoso – ou me é mais congenial – ir, de certo modo, ao coração de suas considerações. Também não entro na modalidade expositiva seguida pela Encíclica, na qual o Sr. sente a falta de uma seção especificamente dedicada à experiência histórica de Jesus de Nazaré.
Observo apenas, para começar, que uma análise desse tipo não é secundária. Trata-se, de fato, seguindo a própria lógica que segue o desenvolvimento da Encíclica, de centrar a atenção sobre o significado do que Jesus disse e fez, e, assim, em última instância, sobre o que Jesus foi e é por nós. De fato, as cartas de Paulo e o Evangelho de João, aos quais se faz particular referência na Encíclica, foram construídos sobre o sólido fundamento do ministério messiânico de Jesus de Nazaré, cujo cume resolutivo é a páscoa da morte e da ressurreição.
É necessário confrontar-se com Jesus, eu diria, na concretude e na dureza do seu acontecimento, assim como é narrado sobretudo no mais antigo dos Evangelhos, que é o de Marcos. Constata-se, então, que o “escândalo” que a palavra e a praxe de Jesus provocam ao seu redor derivam de sua extraordinária “autoridade”: uma palavra atestada desde o Evangelho de Marcos, mas que não é fácil de traduzir para o italiano. A palavra grega é “exousia”, que literalmente se refere ao que “provém do ser” que se é. Não se trata de algo exterior ou forçado, mas que emana de dentro e que se impõe por si. Jesus, efetivamente, atinge, surpreene, inova, como ele mesmo diz, a partir de sua relação com Deus, a quem chama familiarmente Abbá, que lhe entrega esta “autoridade” para que ele a exerça a favor dos homens.
Assim Jesus prega “como quem tem autoridade”, cura, chama os discípulos a segui-lo, perdoa… todas elas, coisas que no Antigo Testamento são próprias de Deus esomente dele. A pergunta que retorna mais de uma vez no Evangelho de Marcos: “Quem é este que…?”, e que se refere à identidade de Jesus, brota da constatação de uma autoridade diferente da do mundo, uma autoridade cuja finalidade não é exercitar um poder sobre os outros, mas servi-lhes, dar-lhes liberdade e plenitude de vida. E isto até o ponto de por em jogo a própria vida, experimentar a incompreensão, a traição, a recusa, ser condenado à morte, até o estado de abandono na cruz. Mas Jesus permanece fiel a Deus, até o fim.
É então – como exclama o centurião romano aos pés da cruz, no Evangelho de Marcos – que Jesus se mostra, paradoxalmente, como o Filho de Deus! Filho de um Deus que e amor e que quer, com todo seu ser, que o homem, cada homem, se descubra e viva também como seu verdadeiro filho. Este, pela fé cristã, recebe a certeza de que Jesus ressuscitou: não para triunfar sobre os quem lhe refutou, mas para atestar que o amor de Deus é mais forte que a morte, o perdão de Deus é mais forte que todo pecado, e que vale a pena gastar a própria vida, até o fim, para testemunhar este imenso dom.
A fé cristã crê isto: que Jesus é o filho de Deus vindo para dar a sua vida para abrir a todos o caminho do amor. Por isso, tem razão o egrégio Dr. Scalfari, quando vê na encarnação do Filho de Deus o caminho da salvação. Já Tertuliano escrevia “caro cardo salutis”, a carne [de Cristo] é o cardo da salvação. Porque a encarnação – o fato que o Filho de Deus tenha vindo na nossa carne e tenha condiviso alegrias e dores, vitórias e derrotas da nossa existência, até o grito na cruz, vivendo cada coisa no amor e na fidelidade ao Abbá – testemunha o incrível amor que Deus tem por cada homem, o valor inestimável que lhe atribui. Cada um de nós, por isto, é chamado a fazer seu o olhar e a escolha de amor de Jesus, a entrar no seu modo de ser, de pensar e de agir. Esta é a fé, com todas as expressões que são descritas com precisão na Encíclica.
No mesmo editorial de 07 de julho, o Sr. me pergunta ainda como compreender a originalidade da fé cristã enquanto essa tem seu foco precisamente sobre a encarnação do Filho de Deus, em relação a outros credos que, diferentemente, gravitam em torno da transcendência absoluta de Deus.
Eu diria que a originalidade está precisamente no fato que a fé nos faz participar, em Jesus, da relação que Ele tem com Deus que é Abbá e, a esta luz, no relacionamento que Ele tem com todos os outros homens, inclusive os inimigos, no sinal do amor. Em outros termos, a filiação de Jesus, como a apresenta a fé cristã, não é revelada para marcar uma separação insuperável entre Jesus e todos os outros: mas para dizer-nos que, nele, todos somos chamados a ser filhos do único Pai e irmãos entre nós. A singularidade de Jesus é para a comunicação, não para a exclusão.
Disto segue também – e não é pouca coisa – a distinção entre a esfera religiosa e a esfera política que é afirmada no “dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”, afirmada com clareza por Jesus e sobre a qual, com fadiga, se construiu a história do Ocidente. A Igreja, de fato, é chamada a semear o fermento e o sal do Evangelho, o amor e a misericórdia de Deus que atingem todos os homens, apontando a meta ultraterrena e definitiva do nosso destino, enquanto à sociedade civil e política toca a árdua tarefa de articular e encarnar na justiça e na solidariedade, no direito e na paz, uma vida cada vez mais humana. Para quem vive a fé cristã, isto não significa fuga do mundo ou procura de qualquer tipo de hegemonia, mas serviço ao homem, ao homem todo e a todos os homens, a partir das periferias da história e tendo desperto o sentido da esperança que impulsiona a trabalhar pelo bem apesar de tudo e olhando sempre além.
O Senhor me pergunta ainda, na conclusão de seu primeiro artigo, o que dizer aos irmãos judeus a respeito da promessa feita por Deus a eles: esvaziou-se completamente? Este é – acredite-me – um questionamento que nos interpela radicalmente, como cristãos, porque, com a ajuda de Deus, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, temos redescoberto que o povo judeu é ainda, para nós, a raiz santa da qual germinou Jesus. Eu também, na amizade que cultivei ao longo de todos esses anos com irmãos judeus, na Argentina, muitas vezes na oração interroguei a Deus, de modo particular quando recordava a terrível experiência da Shoah. O que lhe posso dizer, com o apóstolo Paulo, e que nunca se acabou a fidelidade de Deus à aliança feita com Israel e que, através das terríveis provas destes séculos, os judeus conservaram a sua fé em Deus. E por isto, nunca seremos suficientemente gratos a eles, como Igreja, mas também como humanidade. Esses, perseverando na fé no Deus da aliança, recordam todos, também nós cristãos, o fato que estamos sempre na espera do retorno do Senhor, como peregrinos, e, portanto, devemos estar abertos para ele e nunca apoiar-nos no que já tenhamos atingido.
Agora trato das três questões que o Sr. me propôs no artigo de 07 de agosto. Me parece que, nas duas primeiras, o que lhe interessa é entender o comportamento da Igreja com relação aos que não partilham a fé em Jesus. Antes de tudo, me pergunta se o Deus dos cristãos perdoa quem não crê e não busca a fé. Antecipando que – e é o fundamental – a misericórdia de Deus não tem limites se se volta a ele de coração sincero e contrito, a questão para quem não crê em Deus está em obedecer à própria consciência. O pecado, também para quem não tem fé, existe quando se vai contra a consciência. Escutar e obedecer a ela significa, de fato, decidir-se diante do que é percebido como bem ou como mal. E sobre essa decisão se joga a bondade ou a maldade do nosso agir.
Em segundo lugar, me pergunta se o pensamento segundo o qual não existe nenhum absoluto e, consequentemente, nenhuma verdade absoluta, mas somente uma série de verdades relativas e subjetivas, seja um erro ou um pecado. Para começar, eu não falaria, nem mesmo para quem crê, de verdade “absoluta”, no sentido que absoluto é o que é desligado, o que é privado de qualquer relação. Ora, a verdade, segundo a fé cristã, é o amor de Deus por nós em Jesus Cristo. Portanto, a verdade é uma relação! Tanto é verdade, que cada um de nós a compreende e a exprime a partir de si: da sua história e cultura, da situação em que vive, etc. Isto não significa que a verdade seja variável e subjetiva. Ao contrário. Mas significa que ela se dá a nós sempre e só como um caminho e uma vida. Jesus não disse “Eu sou o caminho, a verdade, a vida”? Em outros termos, a verdade, sendo definitivamente uma com o amor, requer a humildade e a abertura para ser buscada, acolhida e expressa. Portanto, é necessário um bom entendimento a respeito dos termos e, talvez, sair da estreiteza de uma contraposição… absoluta, impostar novamente em profundidade a questão. Penso que isto seja absolutamente necessário para entabular o diálogo sereno e construtivo que eu auspiciava no início desse meu dizer.
Na última pergunta, o Sr. me pergunta se, com o desaparecimento do homem sobre a terra, desaparecerá também o pensamento capaz de pensar Deus. Certo, a grandeza do homem está no poder pensar Deus. E no poder viver uma relação consciente e responsável com Ele. Mas a relação existe entre duas realidades. Deus – este é o meu pensamento e esta é minha experiência, mas quantos, ontem e hoje, a condividem! – não é uma ideia, ainda que elevadíssima, fruto do pensamento do homem. Deus é realidade com “R” maiúsculo. Jesus no-lo revela – e vive a relação com Ele – como um Pai de bondade e misericórdia infinita. Deus não depende, portanto, do nosso pensamento. De resto, também quando viesse a acabar a vida do homem sobre a terra – e para a fé cristã, em todo caso, este mundo assim como o conhecemos é destinado a acabar –, o homem não cessará de existir e, de um modo que não sabemos, também com ele o universo criado. A Escritura fala de “novos céus e nova terra” e afirma que, no fim, no onde e no quando que estão além de nós, mas para os quais, na fé, tendemos com desejo e esperança, Deus será “tudo em todos”.
Egrégio Dr. Scalfari, concluo assim estas minhas reflexões, suscitadas pelo que o Sr. quis me comunicar e perguntar. Acolha como resposta provisória mas sincera e confiante ao convite que lhe dirigi de fazer um percurso de caminho juntos. A Igreja, creia-me, apesar de todas as lentidões, infidelidades, erros e pecados que pode ter cometido e pode ainda cometer nos que a compõem, não tem outro sentido e fim a não ser o de viver e testemunhar Jesus: Ele que foi enviado pelo Abbá “a levar aos pobres o alegre anúncio, a proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista, e por em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
Com proximidade fraterna,
Francisco

domingo, 16 de junho de 2013

                    Sacramentos

Canais por onde nos chegam a Graça de Deus
Sinais sensíveis, instituídos por Cristo, para o bem do povo, e que celebrados e vividos modificam interiormente e exteriormente a quem os recebe.
Os Sacramentos estão ordenados a Santificação dos homens, á edificação do corpo de Cristo, e enfim á prestar culto á Deus: Como sinais, tem também á função de instruir, fortificar e alimentar a fé.
São sinais sensíveis, porque por eles sentimos Deus agindo em nós.

Os sete sacramentos são visíveis e eficazes se vivermos em comunhão com Deus.
Estes sinais nos acompanham a vida toda.


Batismo:

 Ao nascermos  nascemos para a vida, para o mundo... nascermos também para Deus .Através do Sacramento do Batismo.
O Batismo é o sacramento da fé. Mais a fé tem necessidade da comunidade dos que crentes. cada um dos fiéis só pode crer dentro da fé da Igreja. Esta fé vai se desenvolvendo pela vida toda. professada pelos pais e padrinhos, que se comprometem de educar a criança nesta fé que professa. ao catecúmeno é perguntado" o que pedis á Igreja de Deus?"  O padrinho responde por ele "a fé". (Há um só corpo de Cristo - a Igreja - e um só Espirito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo...(Ef 4-5s).
O Batismo nos faz membros do corpo de Cristo, se somos nós a Igreja de Cristo, como membros deste  Corpo, somos membros uns dos outros " fomos todos Batizados num só Espirito para sermos um só corpo"   (1 cor 12,13).
                                   Sinais e símbolos do Sacramento do Batismo


Nas Igrejas católicas você não vê nomes escritos nelas, nem em placas, você vê apenas um sinal; a Cruz. A cruz é por excelência o sinal do Cristão, nela o Cristo morreu por nós. e se entregou livremente á Deus Pai,oferecendo-se por nós
No dia do Batismo a criança é recebida na Igreja em nome do Pai do filho e do Espirito santo, e assinalada com o sinal do cristão.

O sinal da Cruz:
Assinala a marca de Cristo naquele que vai pertencer-lhe, significa a graça da redenção, que Cristo nos proporcionou por sua Cruz, a partir de agora tem um nome e é por Deus chamado por esse nome, e seus pais e padrinhos respondem com amor ao chamado que Deus lhe faz.

O óleo:


a criança é ungida com o óleo dos catecúmenos no peito, os pais e padrinhos renunciam por ela á satanás, e livre eles professam a fé da igreja.

A profissão de fé:


O Batismo é dado em nome do pai do Filho e do Espirito Santo, as verdades desta fé deve ser professada no Batismo. cremos em só Deus, em três pessoas. Na Igreja fundada pelo próprio Jesus,  na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição e na vida eterna. esta é a nossa fé.

 A água:

Ela é o Batismo, pela água "a semente incorruptível da palavra de Deus produz seu efeito vivificante, o sacramento acontece quando o Padre ou o ministro derrama a água na cabeça da criança chamando-a pelo nome "n..., eu te Batizo em nome do pai ,do filho e do espirito santo.

A unção com o óleo do crisma:


Óleo perfumado consagrado pelo Bispo, significa o dom do Espirito Santo ao novo Batizado. este tornou-se um cristão ungido pelo espirito santo, incorporado a Cristo, que é ungido sacerdote profeta e Rei.

A veste Branca:

Significa que o batizado vestiu-se de Cristo e toma parte com ele na ressurreição.

Círio pascal:


a vela acesa no círio Pascal significa que Cristo iluminou o novo cristão, ele é agora luz do mundo(Mt 5,14).

                                         Eucaristia

 Aos 12 anos, depois de catequizados, a recebemos. Assim como necessitamos de comida e bebida para fortalecer o corpo, precisamos também de fortalecer a alma. pelo corpo de Cristo.
A Palavra Eucaristia, quer dizer "ação de Graças" A Eucaristia é a própria missa, sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro imolado que tira os os pecados do mundo, instituída por ele num sacrifício único para a vida toda, por isso a pedido dele, em cada missa, nós reoferecemos juntamente com ele  a Deus Pai o valor deste sacrifício, pelos nossos pecados e pelos do mundo inteiro, e cremos firmemente que o Santíssimo Sacramento é próprio Deus, que se fez alimento para nossa alma. Jesus é o centro da nossa fé, e todas as vezes que participamos da missa,  estamos participando do sacrifício de Jesus na cruz.
Para explicar esse alimento sagrado, São Francisco de Sales, no seu livro filotéia nos conta que um Rei da Ásia inventou um alimento que o preservava de todo e qualquer veneno,estando ele, para ser preso pelos Romanos, tentou de todas as formas se envenenar e não conseguiu. ele conclui seu pensamento "Não foi isso mesmo que fez nosso Divino salvador dum modo verdadeiro e real no augustíssimo Sacramento do altar, onde ele nos dá seu corpo e sangue como um alimento que confere a imortalidade?".

Pela comunhão aprendemos amar mais a Jesus, livrar-nos de nossas misérias e aflições e fortificar-nos nas nossas fraquezas.

                                                           Penitência
É bom saber também o que São Francisco de Sales tem a dizer pra nós, sobre esse Sacramento.
"Nosso Senhor instituiu na sua Igreja o sacramento da Penitência, ou Confissão,para purificar as nossas almas das suas culpas,todas as vezes que se acharem manchadas.Nunca permitas, Filotéia, que teu coração permaneça muito tempo contaminado do pecado, tendo um remédio tão eficáz e simples contra a sua corrupção".
 Se caímos não podemos permanecer no chão, é Deus que vem ao nosso encontro, através da reconciliação.
Depois que Jesus ressuscitou, apareceu aos discípulos saudou-os dizendo" A paz esteja com vocês"  e depois soprou sobre eles dizendo "recebam o Espirito Santo, a todos aqueles a quem vocês perdoarem os pecados , serão perdoados mas aos que vocês não perdoarem não serão perdoados". leiam Jo 20,19-23
Deus nos criou a sua imagem e semelhança e nos dotou com o dom da liberdade. Tudo que fazemos é por nossa livre vontade, se ferimos ou magoamos as pessoas o fazemos por nós mesmos. Deus nos dá o seu amor, e pede-nos somente que o amemos e amemos uns aos outros.
 O pecado nos afasta de Deus e nos torna infelizes.
Para uma boa confissão devemos:
 Reconhecer os nossos erros, fazendo um bom exame de consciência. Se ofendemos alguém, pedir o seu perdão . Pedir o perdão de Deus. ARREPENDIMENTO.
Falar com o sacerdote dos nossos pecados e do nosso desejo de não mais pecar. CONFISSÃO.
Depois de nos orientar o sacerdote nos dá o perdão de Deus e da Igreja. ABSOLVIÇÃO.
Assumimos o compromisso de ser bom Cristão com uma oração fervorosa, ou uma ação em beneficio de um pobre. Penitência.
Se recebermos o Sacramento da penitência realmente arrependidos, vamos nos sentir verdadeiramente em paz , e de mente tranquila, vamos ter a consolação Espiritual que necessitamos.
Conforme o mandamento da Igreja, é nosso dever de Cristão nos confessarmos ao menos uma vez ao ano, e em pecados graves não comungar do corpo de Cristo.

                                                             CRISMA
Juntamente com  o Batismo e a Eucaristia, o Sacramento da confirmação constitui o conjunto dos "SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ" a união destes três Sacramentos, nesta ordem, dá ao Cristão um perfeito e mais forte vinculo com a Igreja, enriquecendo-o da força do espirito Santo. Da parte do Cristão ele deve levar Cristo aos corações, como verdadeiras testemunhas deste Cristo, difundir e defender sua fé, tanto por palavras como por obras. O Espirito Santo, nos anima, nos fortalece, somos capacitados pelo próprio Espirito através de seus dons, se pelo Batismo nascemos, pela Crisma crescemos na fé.
O RITUAL: A matéria do Sacramento da Crisma, é o Santo óleo da oliveira (azeite) misturado com balsamo perfumado, na missa dos Santos óleos, na quinta feira Santa pelo Bispo, essa matéria é usada na cerimônia da Crisma junto com a imposição da mão sobre a cabeça do Crismando.
 O bispo traça o sinal da Cruz com o óleo na fronte do Crismando e diz "Eu te marco com o sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da Salvação, em nome do Pai do Filho e do Espirito Santo"  E o Bispo da um leve tapa no rosto do crismando, para significar que ele é um soldado de Cristo e como soldado deve suportar em nome de Cristo toda sorte de sofrimentos e injurias, defender a sua fé quando atacada conhecer e difundir a Doutrina, e mais, ser um verdadeiro imitador de Cristo, para o merecimento do nome de "Cristão".
                                                             
                                                 MATRIMÔNIO
MATRIMONIO: No momento definitivo de comunhão, Deus vem santificar o Noivo e a Noiva, afim de que na comunhão constituam família Santa e feliz através dos laços sagrados do casamento. O próprio Deus é o autor do Casamento, a vocação para o casamento está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do criador. Deus os criou homem e mulher á sua imagem e semelhança, por amor sem limites a sua criação, e esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo " Deus os abençoou e lhes disse, sede fecundos,multiplicai-vos enchei a terra e submetei-a".(Gn 1 .28).
O casal se acolhem, se entregam, e este pacto, esta aliança entre o casal é selado pelo próprio Deus. A aliança dos esposos é integrada na aliança de Deus com os homens, estes laços tem exigências, a serem cumpridas e respeitadas, Fidelidade um ao outro, a família gerada desta união é responsabilidade dos cônjuges. Para Deus e para a Igreja esta união é indissolúvel.


                                                A ORDEM
A ordem é um sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo e seus apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é portanto o sacramento do ministério apostólico. comporta três graus: O episcopado, o presbiterado, e o diaconado.
Foi Cristo quem escolheu os apóstolos, fazendo-os participar de sua missão e autoridade. Elevado á direita do Pai ele não abandonou seu rebanho, mas guarda-o por meio dos apóstolos, sob sua constante proteção, o o dirige pelos mesmos pastores que continuam até hoje sua obra. portanto é Cristo que concede a uns serem pastores a outros apóstolos. Ele continua agindo por intermédio dos Bispos. O ministro faz as vezes do próprio sacerdote, Cristo Jesus. Se o ministro é assimilado ao sumo sacerdote por causa da consagração sacerdotal que recebeu, goza do poder de agir pela força do próprio Cristo que representa.
   os ministros ordenados também são responsáveis pela formação para a oração de seus irmãos e irmãs em Cristo. Servidores do bom Pastor que são, eles são ordenados para guiar o povo de Deus as fontes vivas da oração; a palavra de Deus, a liturgia, a vida teologal, o hoje de Deus nas situações concretas.
 Porque o nome Sacramento da Ordem? A palavra ordem, na antiguidade Romana, designava corpus constituídos no sentido civil, sobretudo dos que governavam. "Ordinatio" designa a integração num"ordo"
(ordem)
"ORDEM"  Um chamado especial, Deus dá ao homem que queira viver o amor doação, a graça do Sacramento da ordem.
                                           UNÇÃO DOS ENFERMOS
        Não fomos feitos pera a eternidade, em momentos difíceis, quando debilitados por uma enfermidade, ou na velhice, Deus vem ao nosso encontro através do Sacramento da, Unção dos enfermos.
 Antigamente este sacramento só era ministrado em caso de morte, mas a Igreja reconheceu sua importância para todas as enfermidades. é um imenso conforto Espiritual receber através das orações, da comunhão e do óleo sagrado, a graça de Deus para se ter força e coragem. disponibilidade e amor na enfermidade.
 O sacramento da unção  dos enfermos segue um ritual muito bonito, é importante conhecer e valorizar.
Este sacramento pode ser ministrado em caso de doenças graves, e de longa recuperação, independente da idade, basta que se confie na graça do Senhor.
     O sacerdote invoca as três pessoas Divina, traçando o sinal da cruz, faz uma breve reflexão para o pedido de perdão, para que o doente possa arrepender-se; leitura de um texto bíblico, preces da comunidade, imposição da mão sobre o doente, unção com o óleo sagrado; oração do Pai nosso, comunhão e benção final.

mana

Santa Missa para o dia da “Evangelium Vitae”

HOMILIA DO SANTO PADRE FRANCISCO
Praça de São Pedro
Domingo, 16 de Junho de 2013
Amados irmãos e irmãs!
Esta celebração tem um nome muito belo: o Evangelho da Vida. Com esta Eucaristia, no Ano da Fé, queremos agradecer ao Senhor pelo dom da vida, em todas as suas manifestações, e ao mesmo tempo queremos anunciar o Evangelho da Vida.
Partindo da Palavra de Deus que escutamos, gostava de vos propor simplesmente três pontos de meditação para a nossa fé: primeiro, a Bíblia revela-nos o Deus Vivo, o Deus que é Vida e fonte da vida; segundo, Jesus Cristo dá a vida e o Espírito Santo mantém-nos na vida; terceiro, seguir o caminho de Deus leva à vida, ao passo que seguir os ídolos leva à morte.

1. A primeira leitura, tirada do Segundo Livro de Samuel, fala-nos de vida e de morte. O rei David quer esconder o adultério cometido com a esposa de Urias, o hitita, um soldado do seu exército, e, para o conseguir, manda colocar Urias na linha da frente para ser morto em batalha. A Bíblia mostra-nos o drama humano em toda a sua realidade, o bem e o mal, as paixões, o pecado e as suas consequências. Quando o homem quer afirmar-se a si mesmo, fechando-se no seu egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, acaba por semear a morte. Exemplo disto mesmo é o adultério do rei David. E o egoísmo leva à mentira, pela qual se procura enganar a si mesmo e ao próximo. Mas, a Deus, não se pode enganar, e ouvimos as palavras que o profeta disse a David: Tu praticaste o mal aos olhos do Senhor (cf. 2 Sam 12, 9). O rei vê-se confrontado com as suas obras de morte – na verdade o que ele fez é uma obra de morte, não de vida! –, compreende e pede perdão: «Pequei contra o Senhor» (v. 13); e Deus misericordioso, que quer a vida e sempre nos perdoa, perdoa-lhe, devolve-lhe a vida; diz-lhe o profeta: «O Senhor perdoou o teu pecado. Não morrerás». Que imagem temos de Deus? Quem sabe se nos aparece como um juiz severo, como alguém que limita a nossa liberdade de viver?! Mas toda a Escritura nos lembra que Deus é o Vivente, aquele que dá a vida e indica o caminho da vida plena. Penso no início do Livro do Génesis: Deus plasma o homem com o pó da terra, insufla nas suas narinas um sopro de vida e o homem torna-se um ser vivente (cf. 2, 7). Deus é a fonte da vida; é devido ao seu sopro que o homem tem vida, e é o seu sopro que sustenta o caminho da nossa existência terrena. Penso também na vocação de Moisés, quando o Senhor Se apresenta como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, como o Deus dos viventes; e, quando enviou Moisés ao Faraó para libertar o seu povo, revela o seu nome: «Eu sou aquele que sou», o Deus que Se torna presente na história, que liberta da escravidão, da morte e traz vida ao povo, porque é o Vivente. Penso também no dom dos Dez Mandamentos: uma estrada que Deus nos indica para uma vida verdadeiramente livre, para uma vida plena; não são um hino ao «não» – não deves fazer isto, não deves fazer aquilo, não deves fazer aqueloutro… Não! – São um hino ao «sim» dito a Deus, ao Amor, à vida. Queridos amigos, a nossa vida só é plena em Deus, porque só Ele é o Vivente!
2. A passagem do Evangelho de hoje permite-nos avançar mais um passo. Jesus encontra uma mulher pecadora durante um almoço em casa de um fariseu, suscitando o escândalo dos presentes: Jesus deixa-Se tocar por uma pecadora e até lhe perdoa os pecados, dizendo: «São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa, pouco ama» (Lc 7, 47). Jesus é a encarnação do Deus Vivo, Aquele que traz a vida fazendo frente a tantas obras de morte, fazendo frente ao pecado, ao egoísmo, ao fechamento em si mesmo. Jesus acolhe, ama, levanta, encoraja, perdoa e dá novamente a força de caminhar, devolve a vida. Ao longo do Evangelho, vemos como Jesus, por gestos e palavras, traz a vida de Deus que transforma. É a experiência da mulher que unge com perfume os pés do Senhor: sente-se compreendida, amada, e responde com um gesto de amor, deixa-se tocar pela misericórdia de Deus e obtém o perdão, começa uma vida nova. Deus, o Vivente, é misericordioso. Estais de acordo? Digamo-lo juntos: Deus, o Vivente, é misericordioso! Todos: Deus, o Vivente, é misericordioso. Outra vez: Deus, o Vivente, é misericordioso!
Esta foi também a experiência do apóstolo Paulo, como ouvimos na segunda leitura: «A vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20). E que vida é esta? É a própria vida de Deus. E quem nos introduz nesta vida? É o Espírito Santo, dom de Cristo ressuscitado; é Ele que nos introduz na vida divina como verdadeiros filhos de Deus, como filhos no Filho Unigenito, Jesus Cristo. Estamos nós abertos ao Espírito Santo? Deixamo-nos guiar por Ele? O cristão é um homem espiritual, mas isto não significa que seja uma pessoa que vive «nas nuvens», fora da realidade, como se fosse um fantasma. Não! O cristão é uma pessoa que pensa e age de acordo com Deus na vida quotidiana, uma pessoa que deixa que a sua vida seja animada, nutrida pelo Espírito Santo, para ser plena, vida de verdadeiros filhos. E isto significa realismo e fecundidade. Quem se deixa conduzir pelo Espírito Santo é realista, sabe medir e avaliar a realidade, e também é fecundo: a sua vida gera vida em redor.
3. Deus é o Vivente, é o Misericordioso. Jesus traz-nos a vida de Deus, o Espírito Santo introduz-nos e mantém-nos na relação vital de verdadeiros filhos de Deus. Muitas vezes, porém – sabemo-lo por experiência –, o  homem não escolhe a vida, não acolhe o «Evangelho da vida», mas deixa-se guiar por ideologias e lógicas que põem obstáculos à vida, que não a respeitam, porque são ditadas pelo egoísmo, o interesse pessoal, o lucro, o poder, o prazer, e não são ditadas pelo amor, a busca do bem do outro. É a persistente ilusão de querer construir a cidade do homem sem Deus, sem a vida e o amor de Deus: uma nova Torre de Babel; é pensar que a rejeição de Deus, da mensagem de Cristo, do Evangelho da Vida leve à liberdade, à plena realização do homem. Resultado: o Deus Vivo acaba substituído por ídolos humanos e passageiros, que oferecem o arrebatamento de um momento de liberdade, mas no fim são portadores de novas escravidões e de morte. O Salmista diz na sua sabedoria: «Os mandamentos do Senhor são retos, alegram o coração; os preceitos do Senhor são claros, iluminam os olhos» (Sal 19, 9). Recordemo-nos sempre disto: O Senhor é o Vivente, é misericordioso. O Senhor é o Vivente, é misericordioso.
Amados irmãos e irmãs, consideremos Deus como o Deus da vida, consideremos a sua lei, a mensagem do Evangelho como um caminho de liberdade e vida. O Deus Vivo faz-nos livres! Digamos sim ao amor e não ao egoísmo, digamos sim à vida e não à morte, digamos sim à liberdade e não à escravidão dos numerosos ídolos do nosso tempo; numa palavra, digamos sim a Deus, que é amor, vida e liberdade, e jamais desilude (cf. 1 Jo 4, 8; Jo 8, 32; 11, 2), digamos sim a Deus que é o Vivente e o Misericordioso. Só nos salva a fé no Deus Vivo; no Deus que, em Jesus Cristo, nos concedeu a sua vida com o dom do Espírito Santo e nos faz viver como verdadeiros filhos de Deus com a sua misericórdia. Esta fé torna-nos livres e felizes. Peçamos a Maria, Mãe da Vida, que nos ajude a acolher e testemunhar sempre o «Evangelho da Vida». Assim seja.

sábado, 25 de maio de 2013

Catequese do Papa Francisco sobre a ação do Espírito na evangelização– 22/05/13


Catequese
Praça de São Pedro, Vaticano
Quarta-feira, 22 de maio de 2013
Queridos irmãos e irmãs, bom dia.
No Credo, depois de ter professado a fé no Espírito Santo, dizemos: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. Existe uma ligação profunda entre estas duas realidades de fé: é o Espírito Santo, de fato, quem dá vida à Igreja, guia os seus passos. Sem a presença e a ação incessante do Espírito Santo, a Igreja não poderia viver e não poderia realizar a missão que Jesus ressuscitado lhe confiou, de ir e fazer discípulos todas as nações (cf. Mt 28:18). Evangelizar é a missão da Igreja e não apenas de alguns, mas a minha, a sua, a nossa missão. O apóstolo Paulo exclamou: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16). Todos devem ser evangelizadores, especialmente com a vida! Paulo VI destacou que “Evangelizar… é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 14).
Quem é o verdadeiro motor da evangelização em nossas vidas e na Igreja? Paulo VI escreveu com clareza: “É ele, o Espírito Santo que, tanto hoje como no início da Igreja, age em cada evangelizador que se deixa possuir e conduzir por Ele, que lhe sugere palavras que ele sozinho não conseguiria encontrar, preparando ao mesmo tempo a alma de quem escuta para que esteja aberto a acolher a Boa Nova e o Reino anunciado” (ibid., 75). Para evangelizar, então, é necessário se abrir ao horizonte do Espírito de Deus, sem medo do que ele vai nos pedir ou onde nos levará. Confiemo-nos a Ele! Ele nos fará capazes de viver e testemunhar a nossa fé e iluminará o coração daqueles com quem nos encontrarmos. Esta foi a experiência de Pentecostes: aos Apóstolos reunidos com Maria no Cenáculo, “apareceram línguas como de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles e todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, da maneira que o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2:3-4). O Espírito Santo ao descer sobre os Apóstolos, os fez sair da sala em que estavam fechados por medo, os fez sair de si e os transformou em anunciadores e testemunhas das “grandes obras de Deus” (v. 11). E essa transformação operada pelo Espírito Santo se reflete na multidão vinda “de todas as nações debaixo do céu” (v. 5), de modo que cada um ouvia as palavras dos Apóstolos como se fossem em sua própria língua (v. 6 ).
Aqui está um primeiro efeito importante da ação do Espírito Santo que guia e inspira o anúncio do Evangelho: a unidade, a comunhão. Em Babel, de acordo com a Bíblia, havia começado a dispersão dos povos e a confusão das línguas, resultado da arrogância e do orgulho do homem que queria construir com suas próprias forças, sem Deus, “uma cidade e uma torre cujo cume tocasse os céus” (Gn 11:04). No dia de Pentecostes, estas divisões são superadas. Não há mais orgulho contra Deus, nem o fechamento de um ao outro, mas há abertura para Deus, o sair para anunciar sua palavra: uma nova linguagem, a do amor que o Espírito Santo derrama em nossos corações (cf. Rm 5,5), uma linguagem que todos possam entender e que, acolhida, podia ser expressada em cada ser e em cada cultura. A linguagem do Espírito, a linguagem do Evangelho é a linguagem da comunhão, que convida a superar bloqueios e indiferenças, divisões e conflitos. Todos nós devemos nos perguntar: como me deixo ser guiado pelo Espírito Santo a fim de que a minha vida e meu testemunho de fé sejam de unidade e comunhão? Levo a mensagem de reconciliação e de amor, que é o Evangelho nos lugares onde moro? Às vezes parece que hoje se repete o que aconteceu em Babel: divisões, incapacidade de compreender o outro, rivalidade, inveja, egoísmo. O que eu faço com a minha vida? Promovo a unidade próximo a mim? Ou divido com conversa fiada, críticas, inveja? O que eu faço? Pense nisso. Levar o Evangelho é proclamar e vivermos nós primeiro: a reconciliação, o perdão, a paz, a unidade e o amor que o Espírito Santo nos dá. Lembremo-nos das palavras de Jesus: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13:34-35).
Um segundo elemento: no dia de Pentecostes, Pedro, cheio do Espírito Santo, se levanta “com os onze” e “em voz alta” (Atos 2:14), “com ousadia” (v. 29) anuncia a boa nova de Jesus, que deu a vida pela nossa salvação e que Deus ressuscitou dentre os mortos. Aqui é outro efeito do Espírito Santo: coragem para anunciar a novidade do Evangelho de Jesus a todos, com a auto-confiança (parresia), em alta voz, em todo tempo e lugar. E isso acontece ainda hoje para a Igreja e cada um de nós, pelo fogo de Pentecostes, pela ação do Espírito Santo, se desenvolvem sempre novas iniciativas de missão, novas maneiras de proclamar a mensagem de salvação, uma nova coragem para evangelizar. Não nos fechemos nunca a esta ação! Vivamos com humildade e coragem o Evangelho! Testemunhemos a novidade, a esperança, a alegria que o Senhor traz para a vida. Sintamos em nós “a doce e reconfortante alegria de evangelizar” (Paulo VI, Exortação Apostólica. Evangelii Nuntiandi, 80). Porque evangelizar, proclamar Jesus, nos traz alegria, enquanto o egoísmo nos traz amargura, tristeza, nos deixa para baixo, evangelizar nos eleva.
Menciono apenas um terceiro elemento, que é particularmente importante: uma nova evangelização, uma Igreja que evangeliza deve sempre começar pela oração, de pedir, como os Apóstolos no Cenáculo, o fogo do Espírito Santo. Só o relacionamento fiel e intenso com Deus permite que saiamos de nosso fechamento e anunciemos o Evangelho com parresia. Sem oração nossas ações tornam-se vazias e nosso anúncio não tem alma, não é animado pelo Espírito.
Queridos amigos, como disse Bento XVI, a Igreja hoje “sente especialmente o vento do Espírito Santo que nos ajuda, nos mostra o caminho certo e assim, com novo entusiasmo, estamos no caminho e damos graças ao Senhor” (palavras da Assembleia do Sínodo dos Bispos, 27 de outubro, 2012). Renovemos a cada dia a confiança na ação do Espírito Santo, confiança de que Ele age em nós, Ele está dentro de nós, que nos dá o fervor apostólico, a paz, a alegria. Deixemo-nos guiar por Ele, sejamos homens e mulheres de oração, que testemunham o Evangelho com coragem, tornando-se instrumentos de unidade e de comunhão com Deus. Obrigado.