sábado, 17 de março de 2012

                            Sacramentos

Canais por onde nos chegam a Graça de Deus
Sinais sensíveis, instituídos por Cristo, para o bem do povo, e que celebrados e vividos modificam interiormente e exteriormente a quem os recebe.
Os Sacramentos estão ordenados a Santificação dos homens, á edificação do corpo de Cristo, e enfim á prestar culto á Deus: Como sinais, tem também á função de instruir, fortificar e alimentar a fé.
São sinais sensíveis, porque por eles sentimos Deus agindo em nós.

Os sete sacramentos são visíveis e eficazes se vivermos em comunhão com Deus.
Estes sinais nos acompanham a vida toda.


Batismo:

 Ao nascermos  nascemos para a vida, para o mundo... nascermos também para Deus .Através do Sacramento do Batismo.
O Batismo é o sacramento da fé. Mais a fé tem necessidade da comunidade dos que crentes. cada um dos fiéis só pode crer dentro da fé da Igreja. Esta fé vai se desenvolvendo pela vida toda. professada pelos pais e padrinhos, que se comprometem de educar a criança nesta fé que professa. ao catecúmeno é perguntado" o que pedis á Igreja de Deus?"  O padrinho responde por ele "a fé". (Há um só corpo de Cristo - a Igreja - e um só Espirito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo...(Ef 4-5s).
O Batismo nos faz membros do corpo de Cristo, se somos nós a Igreja de Cristo, como membros deste  Corpo, somos membros uns dos outros " fomos todos Batizados num só Espirito para sermos um só corpo"   (1 cor 12,13).
                                   Sinais e símbolos do Sacramento do Batismo


Nas Igrejas católicas você não vê nomes escritos nelas, nem em placas, você vê apenas um sinal; a Cruz. A cruz é por excelência o sinal do Cristão, nela o Cristo morreu por nós. e se entregou livremente á Deus Pai,oferecendo-se por nós
No dia do Batismo a criança é recebida na Igreja em nome do Pai do filho e do Espirito santo, e assinalada com o sinal do cristão.

O sinal da Cruz:
Assinala a marca de Cristo naquele que vai pertencer-lhe, significa a graça da redenção, que Cristo nos proporcionou por sua Cruz, a partir de agora tem um nome e é por Deus chamado por esse nome, e seus pais e padrinhos respondem com amor ao chamado que Deus lhe faz.

O óleo:


a criança é ungida com o óleo dos catecúmenos no peito, os pais e padrinhos renunciam por ela á satanás, e livre eles professam a fé da igreja.

A profissão de fé:


O Batismo é dado em nome do pai do Filho e do Espirito Santo, as verdades desta fé deve ser professada no Batismo. cremos em só Deus, em três pessoas. Na Igreja fundada pelo próprio Jesus,  na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição e na vida eterna. esta é a nossa fé.

 A água:

Ela é o Batismo, pela água "a semente incorruptível da palavra de Deus produz seu efeito vivificante, o sacramento acontece quando o Padre ou o ministro derrama a água na cabeça da criança chamando-a pelo nome "n..., eu te Batizo em nome do pai ,do filho e do espirito santo.

A unção com o óleo do crisma:


Óleo perfumado consagrado pelo Bispo, significa o dom do Espirito Santo ao novo Batizado. este tornou-se um cristão ungido pelo espirito santo, incorporado a Cristo, que é ungido sacerdote profeta e Rei.

A veste Branca:

Significa que o batizado vestiu-se de Cristo e toma parte com ele na ressurreição.

Círio pascal:


a vela acesa no círio Pascal significa que Cristo iluminou o novo cristão, ele é agora luz do mundo(Mt 5,14).

                                         Eucaristia

 Aos 12 anos, depois de catequizados, a recebemos. Assim como necessitamos de comida e bebida para fortalecer o corpo, precisamos também de fortalecer a alma. pelo corpo de Cristo.
A Palavra Eucaristia, quer dizer "ação de Graças" A Eucaristia é a própria missa, sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro imolado que tira os os pecados do mundo, instituída por ele num sacrifício único para a vida toda, por isso a pedido dele, em cada missa, nós reoferecemos juntamente com ele  a Deus Pai o valor deste sacrifício, pelos nossos pecados e pelos do mundo inteiro, e cremos firmemente que o Santíssimo Sacramento é próprio Deus, que se fez alimento para nossa alma. Jesus é o centro da nossa fé, e todas as vezes que participamos da missa,  estamos participando do sacrifício de Jesus na cruz.
Para explicar esse alimento sagrado, São Francisco de Sales, no seu livro filotéia nos conta que um Rei da Ásia inventou um alimento que o preservava de todo e qualquer veneno,estando ele, para ser preso pelos Romanos, tentou de todas as formas se envenenar e não conseguiu. ele conclui seu pensamento "Não foi isso mesmo que fez nosso Divino salvador dum modo verdadeiro e real no augustíssimo Sacramento do altar, onde ele nos dá seu corpo e sangue como um alimento que confere a imortalidade?".

Pela comunhão aprendemos amar mais a Jesus, livrar-nos de nossas misérias e aflições e fortificar-nos nas nossas fraquezas.

                                                           Penitência
É bom saber também o que São Francisco de Sales tem a dizer pra nós, sobre esse Sacramento.
"Nosso Senhor instituiu na sua Igreja o sacramento da Penitência, ou Confissão,para purificar as nossas almas das suas culpas,todas as vezes que se acharem manchadas.Nunca permitas, Filotéia, que teu coração permaneça muito tempo contaminado do pecado, tendo um remédio tão eficáz e simples contra a sua corrupção".
 Se caímos não podemos permanecer no chão, é Deus que vem ao nosso encontro, através da reconciliação.
Depois que Jesus ressuscitou, apareceu aos discípulos saudou-os dizendo" A paz esteja com vocês"  e depois soprou sobre eles dizendo "recebam o Espirito Santo, a todos aqueles a quem vocês perdoarem os pecados , serão perdoados mas aos que vocês não perdoarem não serão perdoados". leiam Jo 20,19-23
Deus nos criou a sua imagem e semelhança e nos dotou com o dom da liberdade. Tudo que fazemos é por nossa livre vontade, se ferimos ou magoamos as pessoas o fazemos por nós mesmos. Deus nos dá o seu amor, e pede-nos somente que o amemos e amemos uns aos outros.
 O pecado nos afasta de Deus e nos torna infelizes.
Para uma boa confissão devemos:
 Reconhecer os nossos erros, fazendo um bom exame de consciência. Se ofendemos alguém, pedir o seu perdão . Pedir o perdão de Deus. ARREPENDIMENTO.
Falar com o sacerdote dos nossos pecados e do nosso desejo de não mais pecar. CONFISSÃO.
Depois de nos orientar o sacerdote nos dá o perdão de Deus e da Igreja. ABSOLVIÇÃO.
Assumimos o compromisso de ser bom Cristão com uma oração fervorosa, ou uma ação em beneficio de um pobre. Penitência.
Se recebermos o Sacramento da penitência realmente arrependidos, vamos nos sentir verdadeiramente em paz , e de mente tranquila, vamos ter a consolação Espiritual que necessitamos.
Conforme o mandamento da Igreja, é nosso dever de Cristão nos confessarmos ao menos uma vez ao ano, e em pecados graves não comungar do corpo de Cristo.

                                                             CRISMA
Juntamente com  o Batismo e a Eucaristia, o Sacramento da confirmação constitui o conjunto dos "SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ" a união destes três Sacramentos, nesta ordem, dá ao Cristão um perfeito e mais forte vinculo com a Igreja, enriquecendo-o da força do espirito Santo. Da parte do Cristão ele deve levar Cristo aos corações, como verdadeiras testemunhas deste Cristo, difundir e defender sua fé, tanto por palavras como por obras. O Espirito Santo, nos anima, nos fortalece, somos capacitados pelo próprio Espirito através de seus dons, se pelo Batismo nascemos, pela Crisma crescemos na fé.
O RITUAL: A matéria do Sacramento da Crisma, é o Santo óleo da oliveira (azeite) misturado com balsamo perfumado, na missa dos Santos óleos, na quinta feira Santa pelo Bispo, essa matéria é usada na cerimônia da Crisma junto com a imposição da mão sobre a cabeça do Crismando.
 O bispo traça o sinal da Cruz com o óleo na fronte do Crismando e diz "Eu te marco com o sinal da Cruz e te confirmo com o Crisma da Salvação, em nome do Pai do Filho e do Espirito Santo"  E o Bispo da um leve tapa no rosto do crismando, para significar que ele é um soldado de Cristo e como soldado deve suportar em nome de Cristo toda sorte de sofrimentos e injurias, defender a sua fé quando atacada conhecer e difundir a Doutrina, e mais, ser um verdadeiro imitador de Cristo, para o merecimento do nome de "Cristão".
                                                             
                                                 MATRIMÔNIO
MATRIMONIO: No momento definitivo de comunhão, Deus vem santificar o Noivo e a Noiva, afim de que na comunhão constituam família Santa e feliz através dos laços sagrados do casamento. O próprio Deus é o autor do Casamento, a vocação para o casamento está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do criador. Deus os criou homem e mulher á sua imagem e semelhança, por amor sem limites a sua criação, e esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo " Deus os abençoou e lhes disse, sede fecundos,multiplicai-vos enchei a terra e submetei-a".(Gn 1 .28).
O casal se acolhem, se entregam, e este pacto, esta aliança entre o casal é selado pelo próprio Deus. A aliança dos esposos é integrada na aliança de Deus com os homens, estes laços tem exigências, a serem cumpridas e respeitadas, Fidelidade um ao outro, a família gerada desta união é responsabilidade dos cônjuges. Para Deus e para a Igreja esta união é indissolúvel.


                                                A ORDEM
A ordem é um sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo e seus apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é portanto o sacramento do ministério apostólico. comporta três graus: O episcopado, o presbiterado, e o diaconado.
Foi Cristo quem escolheu os apóstolos, fazendo-os participar de sua missão e autoridade. Elevado á direita do Pai ele não abandonou seu rebanho, mas guarda-o por meio dos apóstolos, sob sua constante proteção, o o dirige pelos mesmos pastores que continuam até hoje sua obra. portanto é Cristo que concede a uns serem pastores a outros apóstolos. Ele continua agindo por intermédio dos Bispos. O ministro faz as vezes do próprio sacerdote, Cristo Jesus. Se o ministro é assimilado ao sumo sacerdote por causa da consagração sacerdotal que recebeu, goza do poder de agir pela força do próprio Cristo que representa.
   os ministros ordenados também são responsáveis pela formação para a oração de seus irmãos e irmãs em Cristo. Servidores do bom Pastor que são, eles são ordenados para guiar o povo de Deus as fontes vivas da oração; a palavra de Deus, a liturgia, a vida teologal, o hoje de Deus nas situações concretas.
 Porque o nome Sacramento da Ordem? A palavra ordem, na antiguidade Romana, designava corpus constituídos no sentido civil, sobretudo dos que governavam. "Ordinatio" designa a integração num"ordo"
(ordem)
"ORDEM"  Um chamado especial, Deus dá ao homem que queira viver o amor doação, a graça do Sacramento da ordem.
                                           UNÇÃO DOS ENFERMOS
        Não fomos feitos pera a eternidade, em momentos difíceis, quando debilitados por uma enfermidade, ou na velhice, Deus vem ao nosso encontro através do Sacramento da, Unção dos enfermos.
 Antigamente este sacramento só era ministrado em caso de morte, mas a Igreja reconheceu sua importância para todas as enfermidades. é um imenso conforto Espiritual receber através das orações, da comunhão e do óleo sagrado, a graça de Deus para se ter força e coragem. disponibilidade e amor na enfermidade.
 O sacramento da unção  dos enfermos segue um ritual muito bonito, é importante conhecer e valorizar.
Este sacramento pode ser ministrado em caso de doenças graves, e de longa recuperação, independente da idade, basta que se confie na graça do Senhor.
     O sacerdote invoca as três pessoas Divina, traçando o sinal da cruz, faz uma breve reflexão para o pedido de perdão, para que o doente possa arrepender-se; leitura de um texto bíblico, preces da comunidade, imposição da mão sobre o doente, unção com o óleo sagrado; oração do Pai nosso, comunhão e benção final.


O ano litúrgico
Catequese 5ª Etapa-
Antes de Jesus o tempo não era contado em dias meses e ano. O povo se orientava pela estações da lua, eram os astros que orientavam a vida e os costumes daquele povo.
Só pra saber... Os três Reis magos, aqueles que orientados pela estrela encontraram Jesus em Belém, esses magos eram Astrólogos, estudavam os astros, e eram eles que faziam a contagem do tempo.
Na igreja o ano litúrgico marca a entrada de Jesus em nosso tempo.
O ano litúrgico é diferente do ano civil.
O ano civil inicia 1º de Janeiro, e o Ano litúrgico inicia 4 semanas antes do Natal, no 1º Domingo do Advento.

Depois, ainda temos o tempo do Natal. Para então iniciar o tempo comum, que tem no total de 34 á 35 semanas. esse tempo é dividido em duas partes
 ( vamos entender como ).

O tempo comum tem inicio após o tempo do Natal, que contam com 4 semanas, e mais ou menos pela 12ª semana é interrompido para a entrada do tempo da quaresma, que são 40 dias, inciando na quarta feira de cinzas, terminando na quinta feira, quando Jesus, depois de lavar os pés dos apóstolos é preso.
Vem  depois a morte e ressurreição de Jesus
Á Páscoa... Passagem...Vitória sobre a morte.
E vem... O tempo Pascal. Para então recomeçar o tempo comum, que vai encerrar-se na festa de Cristo Rei, um Domingo antes do advento.

As duas mais importantes datas: NATAL e PÁSCOA.

Na festa do Natal celebramos Cristo que vem morar definitivamente em nosso meio, esta festa substitui uma antiga festa, chamada " festa do sol " que era um dia dedicado ao Imperador. nossa festa é dedicada ao nosso único Imperador "Jesus".

Á nossa Páscoa também vem substituir a páscoa do povo de Deus, ou os Judeus:

Quando aquele povo deixaram o Egito Deus poupou suas vidas marcando-os com o sangue do cordeiro. O Faraó de coração duro não permitia que o povo Judeu saísse do Egito, Deus manda então a decima praga, vai matar todos os primogênitos, então manda que o s israelitas sacrifiquem um cordeiro tirem o seu sangue e passem nos umbrais de cada porta, quando Deus passa á noite matando os primogênitos os Judeus são poupados. Deus manda também que eles fiquem preparados para sair do Egito, manda fazer pão sem fermento, pois não haverá tempo para fermentar a massa, que o cordeiro assado seja dividido entre as famílias, pra que não haja sobras,e que comam de pé, com o cajado na mãos, prontos para deixar a escravidão e serem livres.
Depois de 40 anos no deserto eles chegaram a terra prometida, e festejaram, e na mesa deles havia:
 O cordeiro, que eles ofereciam em sacrifício, Pão ásimo ( pão sem fermento) Vinho e Ervas amargas, que simbolizavam o sofrimento passado na escravidão do Egito. Deus durante a travessia do deserto mandou do céu um alimento para o povo, a partir dessa comemoração, Deus não mais mandou o maná. Pois já estavam em suas terras, e a terra era fértil.
Páscoa significa Passagem: para eles a passagem de uma vida de escravidão para uma vida de liberdade.
Para nós no entanto tem um significado mais profundo.
Cristo é a nossa Páscoa, ele morreu pelos nossos pecados, e esse sacrifício  fez dele "O Cordeiro de Deus" Num sacrifício perene.
Na quinta Feira Santa, ao comemorar a páscoa com os discípulos,  Jesus ao pedir a eles que preparem a mesa, não os instruiu para trazer um cordeiro para oferecer em sacrifício porque ele é o cordeiro, e seu sacrifício será feito por ele uma unica vês, para a vida toda, nesse momento Jesus Instituiu a Eucaristia, e pediu-nos que a celebrássemos em memoria dele. Ao celebrar a Páscoa com os apostolos Jesus fala do sentido da sua morte. comendo o Pão e bebendo o vinho eles comem o corpo e bebem o sangue do Senhor, sua morte acontecerá para o bem da humanidade.
   O seu corpo e sangue, derramados hoje no altar da Eucaristia, trazem o bem para todo Cristão que dela participa. E em cada missa que participamos estamos reoferecendo á Deus esse sacrifício de Jesus.
 Somos resgatados pelo Sangue do Cordeiro, que tira todo o pecado do mundo. Porém esse resgate depende de nós. Somos chamados por Cristo a viver livres do Pecado, participando da sua vida pela comunhão, e vivermos em Santidade.
Cristo ressuscitou vencendo a morte, a ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo, crida e vivida como verdade central da nossa fé. Ele nos promete também a nós a ressurreição, mas façamos a nossa parte, vamos nos preparar para ganhar essa batalha com Cristo, e continuemos atentos, pra quando ele vir nos resgatar, não estejamos desprevenidos.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus cristo.



quinta-feira, 8 de março de 2012


Nota da CNBB pelo Dia Internacional da Mulher

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília-DF, de 7 a 9 de março, saudamos todas as mulheres pela celebração do Dia Internacional da Mulher. Alegra-nos perceber que, cada dia mais, cresce a consciência da dignidade da mulher e de sua específica contribuição na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.
Esta data histórica nos convida, antes de tudo, a agradecer às mulheres por sua vocação e missão na Igreja e no mundo.

Servimo-nos, assim, da Carta às Mulheres, do Beato João Paulo II, para dizer nosso obrigado à mulher-mãe, que se faz ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única e que se torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz; à mulher-esposa, que une o seu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida; à mulher-filha e mulher-irmã, que levam ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da sua sensibilidade, intuição, generosidade e constância; à mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dá à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade; à mulher-consagrada, que se abre com docilidade e fidelidade ao amor de Deus; à mulher, pelo simples fato de ser mulher que, com a percepção que é própria da sua feminilidade, enriquece a compreensão do mundo e contribui para a verdade plena das relações humanas (cf. Carta às Mulheres. João Paulo II, 1995).
Nosso agradecimento se estende também às mulheres cuja presença e atuação marcam fortemente a vida da nossa Igreja. Sua vocação evangelizadora, vivida no exercício dos vários ministérios, é fundamental à Igreja no desempenho de sua missão de tornar presente entre nós o Reino de Deus.
O Dia Internacional da Mulher nos conclama, ainda, a aplaudir as mulheres por suas conquistas ao longo de uma história marcada pela discriminação e pelo preconceito. É cada vez mais forte sua presença na família, no mundo do trabalho, na ciência, na educação, na política, na Igreja e na sociedade. Somos testemunhas do papel decisivo da mulher no processo da redemocratização do País. Não sem razão, comemoramos em 2012 os 80 anos do voto feminino, uma conquista histórica.
Apesar dos grandes avanços obtidos pelas mulheres, o Dia 8 de março continua a ser uma data para recordar e denunciar as inúmeras situações de violação de seus direitos e de sua dignidade. Milhares delas são vitimas da discriminação, do desrespeito étnico-cultural, do tráfico para exploração sexual e laboral e de inúmeras outras formas de violência. Para muitas, o lar, lugar sagrado de proteção, converteu-se em espaço de dor e sofrimento. A Lei Maria da Penha é outra vitória das mulheres, que vem combater esta violência doméstica de que são vítimas.
Neste contexto, a CNBB reafirma o apelo do Documento de Aparecida: “É urgente escutar o clamor, muitas vezes silenciado, de mulheres que são submetidas a muitas maneiras de exclusão e violências em todas as suas formas e em todas as etapas de suas vidas” (Documento de Aparecida n. 454).
Que Maria, modelo de mulher, seja sempre inspiração para todas as mulheres na vivência de sua vocação ao amor e ao cuidado da vida, em todas as suas dimensões, lutando por uma sociedade igualitária, de fraternidade e de paz.
Brasília – DF, 8 de março de 2012

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

domingo, 12 de fevereiro de 2012


Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2012

«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras»
(Heb 10, 24)
Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.


Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e, todavia, são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o fato de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.

O fato de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje se é muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O fato de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de considerá-la na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e onipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a ação do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).
3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua.
Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Novembro de 2011
Benedictus PP XVI
FONTE: Sala de Imprensa da Santa Sé

terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Galinhas e avestruzes

Padre José Fernandes de Oliveira, SCJ
Antes que alguém se ofenda pensando que me refiro a ele ou ao seu pregador preferido, aviso que é de todos nós que falo. Serve para mim, para você para qualquer cristão que pretenda pensar como Jesus pensou. Foi ele quem disse que devemos procurar os últimos lugares, porque, se formos realmente necessários e importantes, alguém nos chamará para lugares de maior destaque. (Lc 14,10). E foi ele, também quem disse que se formos bajulados ou elogiados deveremos declarar que não somos tudo aquilo posto que não fizemos nada mais do que alguém na nossa posição deve fazer. (Lc 17,10) É Jesus ensinando humildade e sensatez.

Sensatez e humildade são o que perde aquele ou aquela que fala demais de si, que procura demais os aplausos, e elogia demais a própria obra. Insensato é quem faz um marketing ruidoso de si ou de seu mais novo trabalho como se nada de melhor houvesse. É sensatez que beira ao ridículo, quando o cristão visivelmente faz de tudo para estar diante de microfones e holofotes, cinco seis ou até dez horas por dia. Uma coisa é estar lá por nomeação e profissão e, outra é correr atrás da notoriedade. Quem aparece mais do que a mensagem mostra que não a entendeu.
Do ponto de vista da galinha, o ovo dela é maior do que o da avestruz ou, no mínimo, empata. Aos olhos dos humanos ele é menor, mas, tamanho por tamanho, ovos de galinha e de avestruz se equilibram. Se a avestruz é vinte vezes maior do que uma galinha nada mais natural que seu ovo tenha vinte vezes mais conteúdo. Ela tem a obrigação de produzir um grande ovo.
Mas aí vem a história do marketing e do cacarejo. Ao que tudo indica, a galinha com seu marketing compensa o tamanho do seu ovo. Dizem as más línguas que o mundo cria galinhas e compra seus ovos porque elas são exímias marketeiras. A avestruz é bem mais comedida… Conta com o próprio tamanho.
Isso talvez explique em parte porque homens e mulheres cultos e bem preparados, com muito mais a oferecer evitem a mídia, enquanto pessoas bem menos preparadas, com pouco a ensinar, estejam lá todos os dias exibindo-se, desde os BBBs até os talk-shows onde, o mais que podem,contam histórias sobre si mesmas. Cada qual vende o peixe que pescou e o ovo que botou.
Irônico e cruel? Serve para mim e serve para você. É bom que examinemos o porquê de nossa presença o rádio e na televisão. Nos cursos de comunicação que ministro, há quase 30 anos, nunca deixo de lembrar os ovos da galinha e os da avestruz. Quem acha que tem mais a oferecer e não vai lá ajudar a instruir milhões de cabeças e corações talvez não tenha o direito de criticar quem tem pouco a dizer, mas vai lá, exibe-se e diz. Os que sabem menos estão ocupando o lugar de quem sabe mais e poderia ensinar mais, mas não vai. Outra vez, foi Jesus quem disse que daquele a quem mais se deu, mais se exigirá e que discípulo seu, sem vaidades deveria anunciar de cima dos telhados.(Mt 10,27)
Isso de estar na mídia não é assim tão simples. De certa forma somos todos galinhas e avestruzes. Calamos quando não deveríamos calar e cacarejamos quando bastaria dizê-lo serenamente! O exibido nunca admite que o é. Há pregadores exagerando nas suas aparições e outros, omitindo-se! Os documentos da Igreja mandam ir. Mas também mandam que se vá com moderação e conteúdo sólido. Estamos todos a precisar de uma séria reavaliação da nossa presença na mídia. O triste é que os que mais precisam repensar o que fazem, não aceitam. Lembram o cozinheiro que adorava as próprias receitas. Media seu talento de cozinheiro pelo número dos que freqüentavam seu restaurante. Isso, até o dia em que outros cozinheiros apareceram com novas receitas e novo modo de servir. Se eram melhores ou não o fato é que a situação mudou. O resto, o leitor já pode imaginar! O cozinheiro passou a oferecer comida de qualidade duvidosa, mas muito mais barata. É o perigo que rondou e ronda os pregadores. Sobre isso também Jesus deixou o seu recado: E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. (Mt 6,7) Ligue sua televisão e conclua! O que você vê e ouve é profundo e faz pensar ou anda leve e repetitivo demais! Se você conhece o endereço da emissora em questão, manifeste-se!
FONTE: Padre Zezinho, SCJ

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


A história do Santo Sudário

Pe. David Francisco, EP
Quando Jesus disse: “consummatum est” e expirou, José de Arimatéia teve a “audácia de ir a Pilatos” (Mc 15, 43) pedir o corpo de Jesus para proceder ao sepultamento conforme o costume.
Os Evangelhos nos contam que, uma vez concedida a licença, Jesus foi envolto num lençol e depositado num sepulcro novo. São Mateus fala de um pano limpo de linho e São Lucas de um lençol de linho.

O que conhecemos hoje como Sudário é um lençol de linho, de tecido firme e forte, de cor sépia, e de grandes dimensões ( 4,36m de comprimento por 1,10m  de largura) , que traz milagrosamente estampado, de frente e de costas em tamanho natural, a figura de um homem de barba com idade calculada entre 30 e 35 anos, de aproximadamente 1,80m de altura e  pesando mais ou menos 80 quilos, que foi torturado, flagelado e crucificado. Conserva-se há mais de quatro séculos na cidade italiana de Turim.
Um lenço com o qual se enxugava o suor do rosto designava-se: sudário. Depois, com o tempo essa terminologia passou a ser usada para designar o lençol ou mortalha utilizada para envolver cadáveres nos sepultamentos. Com o mesmo significado, temos em grego a palavra “sidon” , daí vem sindonologia que quer dizer: estudo do sudário.
Desde o momento em que José de Arimatéia saiu do Pretório, às pressas, para adquirir o lençol no mercado de Jerusalém, iniciou-se uma história que atravessaria os séculos. Em nossos dias ela desperta interesse tão ou mais significativos que nos primeiros séculos, sobretudo por causa das incógnitas que apresenta e que nem a ciência moderna consegue desvendar inteiramente.
Foi um longo período, marcado por aparecimentos e desaparecimentos que vai desde o ano 30 de nossa era até 1356, quando é entregue por Godofredo de  Charny I  aos cônegos de Lirey, na França. A partir daí, a história do Santo Sudário é bem conhecida  e esta devidamente documentada.
Em 1356, Godofredo de Charny I  – cavaleiro cruzado – entrega aos cônegos de Lirey o Sudário, que estava em seu poder há pelo menos três anos.
Difícil saber, entretanto, como o Sudário foi parar na França porque Godofredo jamais revelou como entrou na posse dele. Acreditam alguns historiadores que tenha sido na época em que Constantinopla caiu nas mãos dos bizantinos.
Em 1390, duas bulas tratando do Sudário foram editadas pelo antipapa de Avignon, Clemente VII.
Não se ouviu falar do Sudário até 1418, quando Humberto, Conde de La Roche, que se casara com Margarida de Charny, recebeu o Santo Sudário dos cônegos de Lirey, para guardá-lo por um certo período em que ocorriam guerras e desordens. O Conde de La Roche, entretanto, veio a falecer sem ter restituído a relíquia aos cônegos de Lirey.
Em 8 de maio de 1443, Margarida de Charny, neta de Godofredo de Charny, foi intimada em juízo a devolver o Sudário aos cônegos de Lirey, quando alegou “ser ele de sua propriedade por direito de conquista feita em guerra por seu avô”.
Em 1453, no dia 22 de março, Margarida entrega o Sudário à mulher do duque Ludovico de Sabóia, Ana de Lusignano.
Em 1457, no dia 30 de maio, Margarida foi apenada com  excomunhão pelo tribunal eclesiástico de Besançon.
Em 7 de outubro de 1459,  Margarida  de Charny faleceu.
Em 1464, no dia 6 de fevereiro, o duque Ludovico de Sabóia, (que estava na posse do lençol),  nega-se a atender um pedido de restituição da relíquia, feito pelos cônegos de Lirey, que se consideravam os legítimos proprietários do lençol.
Em 1502, o Sudário foi levado à Sacra Capela do castelo, em Chambéry, especialmente construída para ele.
Em 1506, o Papa Júlio II aprova a Liturgia do Santo Sudário, com festa anual no dia 4 de maio. Desde 1453 até 1506 o Sudário esteve na posse da família Sabóia, em Chambéry, como objeto privado.
Um violento incêndio, ocorrido na noite de 3 para 4 de dezembro de 1532 na sacristia da Sacra Capela,  atingiu seriamente o Sudário lá guardado dentro de uma urna de prata. O cônego Lambert, ajudado por dois franciscanos e um ferreiro, conseguiu salvá-lo lançando grande quantidade de água sobre a urna, já incandescente e começando a fundir-se. Felizmente os danos, embora irreversíveis, não prejudicaram totalmente as imagens impressas. Como o lençol estava dobrado dentro da urna, as bordas das dobras, que estavam em contato com uma lateral incandescente, ficaram chamuscadas. Algumas gotas da prata fundida também o perfuraram e a água, utilizada para debelar o incêndio, produziu manchas em forma de losango, tanto na imagem frontal, como na dorsal.
Em 1534, no período de 15 de abril a 2 de maio, as irmãs Peronette Rosset, Marie de Barre e Collete Rochete, aplicaram remendos triangulares nos furos, costurando-os pelo avesso do lençol, porque ali não há nenhuma imagem.
Em 1535, por motivo de guerra, o Sudário foi levado para outras cidades da Itália e da França. Saiu de Chambéry, passou por Turim, Vercelli, Milão, Nice, novamente Vercelli.
Em 1561, a relíquia retornou a Chambéry. O traslado para Turim deu-se por um ato de piedade do então Cardeal Carlos Borromeu.
Em 1578, no dia 8 de outubro, o Sudário foi trasladado para a Catedral de Turim. Nesse ano, o Cardeal de Milão, hoje São Carlos Borromeu, fez um voto de ir a pé, de Milão a Chambéry, em peregrinação para adorar o Sudário, caso a epidemia de peste desaparecesse de sua cidade. Alcançada a graça, o Cardeal iniciou a caminhada. Para poupá-lo da penosa viagem através dos Alpes, o duque Emanuel Filiberto de Sabóia mandou levar o Sudário até Turim, metade do caminho entre Milão e Chambéry.   Desde então, permanece o Santo Sudário em Turim até nossos dias.


FONTE: Gaudim Press

Conversão de São Paulo

O martírio de São Paulo é celebrado junto com o de São Pedro, em 29 de junho, mas sua conversão tem tanta importância para a história da Igreja que merece uma data à parte. Neste dia, no ano 1554, deu-se também a fundação da que seria a maior cidade do Brasil, São Paulo, que ganhou seu nome em homenagem a tão importante acontecimento. 

Saulo, seu nome original, nasceu no ano 10 na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia. À época era um pólo de desenvolvimento financeiro e comercial, um populoso centro de cultura e diversões mundanas, pouco comum nas províncias romanas do Oriente. Seu pai Eliasar era fariseu e judeu descendente da tribo de Benjamim, e, também, um homem forte, instruído, tecelão, comerciante e legionário do imperador Augusto. Pelo mérito de seus serviços recebeu o título de Cidadão Romano, que por tradição era legado aos filhos. Sua mãe uma dona de casa muito ocupada com a formação e educação do filho. 

Portanto, Saulo era um cidadão romano, fariseu de linhagem nobre, bem situado financeiramente, religioso, inteligente, estudioso e culto. Aos quinze anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, grego e hebraico, na conhecida Escola de Gamaliel, onde recebia séria educação religiosa fundamentada na doutrina dos fariseus, pois seus pais o queriam um grande Rabi, no futuro. 

Parece que era mesmo esse o anseio daquele jovem baixo, magro, de nariz aquilino, feições morenas de olhos negros, vivos e expressivos. Saulo já nessa idade se destacava pela oratória fluente e cativante marcada pela voz forte e agradável, ganhando as atenções dos colegas e não passando despercebido ao exigente professor Gamaliel. 

Saulo era totalmente contrário ao cristianismo, combatia-o ferozmente, por isso tinha muitos adversários. Foi com ele que Estêvão travou acirrado debate no templo judeu, chamado Sinédrio. Ele tanto clamou contra Estevão que este acabou apedrejado e morto, iniciando-se então uma incansável perseguição aos cristãos, com Saulo à frente com total apoio dos sacerdotes do Sinédrio. 

Um dia, às portas da cidade de Damasco, uma luz, descrita nas Sagradas Escrituras como "mais forte e mais brilhante que a luz do Sol", desceu dos céus, assustando o cavalo e lançando ao chão Saulo , ao mesmo tempo em que ouviu a voz de Jesus pedindo para que parasse de persegui-Lo e aos seus e, ao contrário, se juntasse aos apóstolos que pregavam as revelações de Sua vinda à Terra. Os acompanhantes que também tudo ouviram, mas não viram quem falava, quando a luz desapareceu ajudaram Saulo a levantar pois não conseguia mais enxergar. Saulo foi levado pela mão até a cidade de Damasco, onde recebeu outra "visita" de Jesus que lhe disse que nessa cidade deveria ficar alguns dias pois receberia uma revelação importante. A experiência o transformou profundamente e ele permaneceu em Damasco por três dias sem enxergar, e à seu pedido também sem comer e sem beber. 

Depois Saulo teve uma visão com Ananias, um velho e respeitado cristão da cidade, na qual ele o curava. Enquanto no mesmo instante Ananias tinha a mesma visão em sua casa. Compreendendo sua missão, o velho cristão foi ao seu encontro colocando as mãos sobre sua cabeça fez Saulo voltar a enxergar, curando-o. A conversão se deu no mesmo instante pois ele pediu para ser Batizado por Ananias. De Damasco saiu a pregar a palavra de Deus, já com o nome de Paulo, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo. 

Sua conversão chamou a atenção de vários círculos de cidadãos importantes e Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente, foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma. Suas relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Itália, festejada no dia de sua consagração em 18 de novembro. 

O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. Ele escreveu 14 cartas, expondo a mensagem de Jesus, que se transformaram numa verdadeira "Teologia do Novo Testamento". Também é o patrono das Congregações Paulinas que continuam a sua obra de apóstolo, levando a mensagem do Cristianismo a todas as partes do mundo, através dos meios de comunicação.